Mesmo que não mais queria recordar-me ainda assim o registrava, indelével, imediato aos olhos.

Ainda que as ultimas notas velem o fim, sempre estranho o silêncio após a execução.

Desconfiava, traia-me: vi enquanto se acomodava em seu calor. Se rendiam a um furor luzente. Flagravam-se. Dei as costas, e me deixei perder-te pro sol de todas as manhãs.

Talvez porque se estancasse, nem sequer um momento e olhasse o que dependia à sua volta, nunca tornaria a proceder.

A casa? Abandonada, claro. Desmobiliada senão pela luz do dia, mas meu apreço se projetava além de concretos, cores e madeiras: como atrever-me-ia a abonar os meus fantasmas de tão fiel outrora?

Existia em silencio, instável, sempre à beira do colapso.

Nem se me deitasse. Deixasse despretensioso meus pertences pela sua extensão.
Não seria o bastante.
Aqueles bancos de contemplar a raridade do fim de um dia.
Seus metros de suplício. Implorando. Insinuando meus pecados.
Tão absolutos, tão impunes.
Não podia. Não.
De soslaio. Vi enquanto se deleitavam da minha indiferença.,
Monocromática.
: fugi.
Porque sabia. Sim.
Fugi pelo fluir das horas.
Sabia que não gostava delas.
Fugi pelo fluir escuro das horas até me fatigar.
Até me fatigar, já no sombrio da sua presença.
Esmaecer devagar.,
Fundir minha existência à incerteza turva.,
E me confundir com os bancos:
em vingança.

O céu já tinha estrelas quando cheguei pra fotografar o pôr do sol.

Um acenar de mão ao longe foi o que me tornei. A outra no bolso e o passo atrasado, corpo meio virado pro sentido contrário, sempre em direção a partir.

Exilei tudo em caixas no alto do guarda roupa e fiz de conta não existir, mas escorriam pelas frestas e me procuravam como se sentissem falta.