Não percebe, Santiago, grande tolo, que teu orgulho é que te ofusca a resistência a tudo isso? Não percebe é que te oprime a geografia confusa das coisas?

Se pra não voltar a vê-lo mais, vou partir então com nada além de corpo e malas, que meu desejo é antes ardente na devoção de seu único agrado.

Quando foi que largamos a ilusão de volta e nos abandonamos à nossa sorte pouca? Quando foi, Bartolomeu, que as migalhas de deixarmos pra marcar o caminho se tornaram a última opção de sobrevivência?

Dependia em mim a sua ansiedade: enquanto saíamos e via as portas se fecharem, vezes parava e olhava procurando cumplicidade, vezes se deixava ser feliz por antecipação.

Do que se envolve nos limites do compasso minha confiança é finda, a fragilidade do tempo da nota era ao que podia me agarrar e nada mais.

Era comum até que te reparasse tanto, era exatamente como qualquer outro até eu me tornar o que te fazia ser diferente.

Beijos
tchau, até mais, até dia nove.

 

O motorista rasga um pedaço da passagem.

 

e daí você se foi. Meu último vestígio teu é não virar as costas, mas é inevitável:
se for partir,
também tenho que fazer o mesmo.

Enquanto espero, me distraio: me preocupo.

deixei me fazerem mal quanto queriam
deixei jogarem na minha cara tudo de que já tinha me arrependido
deixei voltarem a me lembrar o que me fazia ceder ao erro
mas deixei,
ainda assim,
pendurados na parede.

Se meus deuses já morreram e talvez por isso não me respondam mais, não sei, mas se o meu lamentar são de palavras sem sofrimento, me perdoe, ó Pai, por não padecer o suficiente.